domingo, 15 de abril de 2012

Love is all

because the world is round
and the sky is blue, 
because the wind is high
and the sunset and the sunshine always do,
Love is all around
because of you.

imagem: Love is All

Melody Gardot - Because

planet Keys


there are still really unknown planets around the universe.


I just knew one that I want to introduce to you:
this is planet Keys - a key for the unknown, for the empty space around us.

while listening to its movement, you should sit, widen up your chest and smile your breath away to somewhere-someone pretty close to you, slide your hands around the neck and the waist and, last but not least, smell the fragrance of the one you love.


proceed with caution. You will be able to discover the right track until infinity.



imagem: Alyzen Moonshadow 


Oscar Peterson Trio - The girl from Ipanema
http://www.youtube.com/watch?v=OcETI4dsMyc

quinta-feira, 12 de abril de 2012

cansado de tudo



estou cansado de tudo.
decidi estender-me aqui e virar a cara ao mundo.
não posso mais!
o olhar de Ísis acusa-me desde que acordo até que me deito. tortura-me. mata-me.
sou o culpado das desgraças do mundo - assim rezo a um qualquer deus que me queira escutar no silêncio da minha voz. perdoa-me por todos os erros que nesta vida cometi e que, na próxima, se a houver, venha também a cometer.
vivo tresloucado, isolado dos homens, dos amigos que já perdi.
já nem sei se o que sinto é inveja, desprezo ou liberdade.
tirai esses olhos de mim!...
não, malditos! não olheis a miséria que é a vossa.
é a quarta noite que fico ao relento e durmo iluminado pelas estrelas. provavelmente, ela nem sentiu a minha falta tão longe já dormíamos na mesma cama.
melhor assim!...
estou cansado de tudo: da forma descuidada como abria e batia com a porta à chegada após um dia de trabalho, da maneira como logo chamava por mim, como que a medo de olhar para a cozinha e sentir a minha invisível presença - pesada, incómoda, arrastada -, do seu próprio cheiro ou do seu look confiante de quem tem um emprego e trabalha e assim consegue sobreviver-se às agruras do mundo.
é melhor que seja mesmo assim!... mesmo.
quando sai, bem cedo, pela manhã, pode ir aquecer o seu lugar no balcão de estética com menos uma multi-preocupação. à noite, bastar-lhe-á entrar em casa, sossegada, e cozinhar para um, quem sabe para dois, caso decida ocupar o meu lugar à mesa com alguém, ainda que esporadicamente.
nada nem ninguém mais quero ver!...
de nada quero saber.
quero, apenas, que me deixem, em paz, morrer.

imagem: autor desconhecido, encontrada em Sintonia sobre pretexto.

Arvo Part - Cantus in the memory of Benjamin Britten
http://www.youtube.com/watch?v=TRZLxxR23K4&feature=related

a vizinha do 7ºC


esta minha vizinha, de dois andares abaixo, deixa-me o corpo em água. desde que para aqui se mudou, há cerca de um mês atrás, que tenho as noites ocupadas sem dormir.
de cada vez que de dia me cruzo com ela, o que acontece quase todos os dias, é certo e sabido que perco o sono à noite. não interessa se é dia de sol ou dia de chuva; o certo é que não vou dormir, se a vir.
por vezes, quando saio, pela manhã, nem sei se me cruze com ela, ou se me descruze. sei lá se é do sorriso ou do olhar, do leve oscilar da sua loira e farta cabeleira ou do seu menear.
sei que, é certo e sabido, quando, pela manhã, passo por ela... à noite perco o sono e não mais consigo dormir.
depois, durante o dia, pareço até semi-adormecido; mas não. estou apenas meditabundo, imaginativo a pensar em como hei-de arranjar uma forma de dormir essa noite. como hoje! é que, pela manhã, quando saía para o trabalho, me cruzei mesmo com a vizinha loira que vive já ali, bem perto, apenas 2 andares abaixo de mim.
ao fim do dia, no regresso a casa, vou ainda com ela, sedosa e transparente, no olhar. quem me olha, apesar do silêncio, sempre me diz:
“estás feliz, António! vê-se bem que já conheces mais que a cor do seu cabelo ou a cor da sua pele”
ou, então, acabam por deixar sair com um cúmplice piscar, um
“estás feliz, António! diria que, esta noite, jantaste em sua casa. talvez até já… conheças toda a casa.”
penso, então, para mim, como a leitura de palavras de silêncio pode ser tão inexacta e como tantas vezes somos levados ao engano por palavras da expressão.
ainda um tanto preocupado com a forma como ocupar esta noite, entro a soleira do prédio. avanço mais uns passos e vejo a minha vizinha de dois andares abaixo, bastante menos leve do que pela manhã, carregada com o peso das canseiras e das compras do dia:
dás-me aqui uma pequena ajuda, por favor – pede-me ela, enquanto me olha, inquisitiva, preparando-se para entrar no elevador.
peguei nos sacos e segui-a devagar, com um sorriso confiante sobre o olhar e o decote da camisa entreaberta. pressionei no número sete. quando chegámos, abriu a porta e perguntou-me:
“como te chamas?”
“o meu nome é António.”
“pois então anda daí, António! esta noite jantas comigo.”
Imagem: ciência hoje
Joe Pass & N H O Pedersen - Have you met Miss Jones?

estás por aí?



estás aí?
estás por aí?
uhmmm?...
não dizes nada!?
mas estás ou não?
já vi que não!
melhor: não queres estar,
por agora.
percebi!
talvez
mais tarde, mais sedosa, mais quente
se chegar o tempo
em que os rios desaguem em teu mar.
volúvel,
és como a ribeira:
magra ou esgotada no verão,
plena ou abundante no inverno.
mulher,
vives prenha de emoção.

imagem: autor desconhecido

Niels-Henning Ørsted Pedersen & Paul Bley - Later

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qhd0pA5yXY0

secou a minha fonte



a minha fonte
está seca.
secou a minha fonte.
nada mais tenho para te dar.
já não escorre água da minha boca
para regar os canteiros do teu jardim.

secou.
está seca.
acabaram-se-me as palavras.
desta fonte já nada brota.
até mesmo
os pássaros que aqui vinham beber
deixaram de se fazer ouvir,
desapareceram para não mais voltar.
apenas as ervas em volta ainda quebram e crepitam
de tão secas.

é assim:
está esgotada
a minha fonte.
agora,
nada mais exprime o sonho
do que um leito estaladiço e poeirento
em finais de verão.

não mais quero ser teu.

imagem: blogue Por aí.

Kurt Rosenwinkel - The next step

l.i.f.e.c.h.a.n.g.e., by charlesmagne.walls



look!... 
and get ready.
perpetual move is on the ground right by your feet.
laying?
 
no! lying.
 

as a flying carpet for you to crawl and dream away.


imagem: Salustiano

Carlos Paredes - Mudar de vida
http://www.youtube.com/watch?v=1mSl9AqRWbo